terça-feira, 20 de julho de 2010

Amor à moda antiga

A noite estrelada trazia ventos revigorantes. Ele fez uma declaração de amor ao modo dos românticos. Os românticos são adeptos do amor idealizado, com pitadas de sofrimento na espera para o tão sonhado enlace com aquele que o completará, sim a ele, metade de alguma coisa que permanece inacabada. Ao ouvi-lo encheu-se de ternura, beijou-o acomodando-se em seu leito, encerrando no peito a posse dessa criatura doadora de paz.



Adormeceu, ou melhor, fingiu dormir ao vê-lo preparar-se para sair do quarto, cenário do amor eterno até então. O amante devoto saiu para uma caminhada noturna, sem saber que era observado. Encontrou-se com uma dona nativa do vilarejo, trocou algumas palavras inaudíveis à distância que Janaína se encontrava, contudo, ela podia perceber a delicadeza do toque do seu terno amante acariciando a dona, beijando-a com animalidade. Foi difícil ver a tal cena, mas manteve-se firme. E após a troca de carícias o moço romântico seguiu em sua caminhada.


Desolada pensou: faz parte do instinto dele, certamente foi ela, a vadia, que o deixou sem opção. Prosseguiu assim, seguindo seu romântico par que naquela altura sussurrava ao telefone com uma mulher, sim ela sabia ter outra fêmea do outro lado da linha, já que o ouviu repetir as mesmas palavras ditas ao seu ouvido numa declaração eterna para adormecer, sentindo-se uma deusa entre as mulheres. Naquele momento a ingênua Janaína já sabia o que fazer por conhecer bem o sentimento que a possuía ali, sendo testemunha dos diversos “amores” do seu par romântico.


Janaína descobriu-se vulnerável ao sentir-se mais uma na multidão, seu altar era compartilhado. Fora educada para ser mãe, esposa dedicada ao seu homem, esse ser controverso que a acompanharia pelo resto de seus dias. Desconhecia outro significado de ser mulher, mas jurou para si não perder a sua presa, sua redenção, seu troféu para a sociedade. Afinal, as mulheres de sua família sempre se casavam, e constituíam sua própria família. Tomou sua decisão ali enquanto o ouvia declarar-se carinhosamente para a sua rival.


Vendo o moço dirigir-se ao alojamento do seu quarto, onde a havia deixado dormindo como a mulher mais amada do mundo, adiantou-se num atalho e com habilidade própria do feminino deitou-se. Pouco depois, o amante adentra ao quarto, se aproxima de Janaína começando um breve jogo do amor da carne. Ela se entrega, enquanto pensa ter que prendê-lo junto a si. Algo a corrói além do toque, em seu âmago algo a separa daquele tão amado homem. O ciúme não declarado, a sufoca para os dias vindouros. Ela se entrega, ama com paixão deixando-o ébrio. Sobre os lençóis ele lhe pertencia, um misto do corpo e um modo de ser alma. O sono foi profundo.


À luz do novo dia ele deparou-se com o fardo de sua jornada, e a mulher mau amada, vítima de si lhe cobraria dia a dia sua felicidade. Após aquela noite o amor cedeu ao mal humor mantendo-se frio todas as noites.







quarta-feira, 10 de março de 2010

Leitura e Distração


A casa era grande, mas havia algo dela por todo canto. Naquela tarde de uma temperatura amena como seu humor, entregou-se a si. Entorpecida em seus pensamentos, também recordou.
Era uma comunicação velada: a pele, o cheiro, o hálito! Sempre fora mulher de entrega, no entanto fora aquela noite especial. Sempre contida, um toque de aspereza era perceptível no trato com o sexo oposto. Apenas era o muro que a protegia do medo do universo desconhecido, e ela bem o sabia. Poucos homens a atraíram ao longo de sua jornada. Até o presente instante, em que se despia não só das roupas, mas de sua armadura contra o mundo. Quando se permitiu sustentar olho no olho contando de si, traduzindo o outro. Num abraço acariciou, deslizou a mão pelo peito, tocou-lhe o pescoço entregando-se ao beijo- momento de supressão do tempo. Uma fêmea acordava da hibernação. Ela o guiou saboreando cada carícia. Explorou imaginação e descoberta. Os dois corpos disseram-se tudo sem palavras, entre suspiros e gemidos. Com o aperto das mãos.  Ele foi fundo. Ela estremeceu. Juntos ofegantes desabaram de um diálogo quente, vivo. Por um momento ainda na exaustão do ato ela tentou pensar sobre o acontecido, todavia só era possível sentir. E agora no sofá da grande sala ao relembrar seu corpo reagiu. Ela sentiu-se mulher, retomando a leitura.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Eu você e mais alguém


Algumas questões ainda me intrigam no que tange a relação entre homem e mulher. Talvez pareça repetitivo o tema, mas julgo oportuno debatê-lo, pois nunca está acabado. A maioria das relações tem a base tradicional, isto é, monogâmica com papéis preestabelecidos para ambas as partes. Um modelo gasto nem sempre de bons frutos.  Diversas são as dificuldades: de ordem sexual, financeira, profissional, o ritmo para vida dentre outros.
Há casais que dividem a mesma casa, mas vivem isolados um do outro. Não porque preserva a individualidade de cada qual, mas pela ausência de adequação na convivência. E quando isso ocorre o que fazer?  Após alguns anos de convivência as coisas mudam, e alguns casais buscam juntos uma saída, enquanto outros mais se distanciam.
 As relações permanentes necessitam de certa leveza, de comunicação e de liberdade para ter a sua própria dinâmica. Para tanto necessita da maturidade de seus componentes, algo firmado no dia a dia. Através dos objetivos particulares bem como dos impulsos que os fazem permanecerem juntos. Carl Rogers nos traz relatos interessantes em seu livro “Novas Formas do Amor” de casais que por motivos diferentes experimentaram comunas onde compartilharam uma vida em comum e permitiram-se ter relações sexuais com pessoas da casa. De casais que decidiram experimentar a presença de outro ou outra na relação. Isso há décadas atrás, todavia nos dias atuais tal comportamento é recriminado pela maior parte da sociedade, que pouco contribui para o crescimento individual auxiliando no ciclo vicioso. As relações paralelas contribuem ou apenas arruínam a relação onde o estado terminal é evidente? É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Num curioso relato do mesmo livro citado, um jovem afirma ser possível, uma vez que o movimento das duas relações é distinto pelas peculiaridades das mulheres envolvidas; e não é uma visão machista do fato, visto que uma mulher também faz declaração semelhante. Algo para mim intrigante, merecedor de momentos de reflexão.  A relação sexual para algumas pessoas é descrita como uma necessidade biológica e para outras como um encontro íntimo por se tratar de uma aproximação do outro numa esfera maior. O que ocasiona o sentimento de posse e a rivalidade. Acredito ser um momento tenso na relação, mas também de crescimento. Pois, o olhar sobre as mudanças deve ser de curiosidade sem barreiras. Se o outro não é minha propriedade, resta-me a comunicação em direção ao crescimento de ambos, não sem sofrimento. Portanto, percebo nessa situação a fragilidade do indivíduo e no modo de lidar com a relação.
O casamento sob o meu entendimento não é o ápice da relação, mas o começo de uma jornada a dois, sem nenhuma das partes se diluírem nele. Ao contrário, que seja o despertar individual consentindo a vivência com o outro e suas diferenças, que não me completam, mas antes me estimulam, num ato recíproco. 

Construir relações


O psicólogo Carl R. Rogers traz em seu livro “Novas Formas de Amor”  reflexões para relacionamentos. O que nos leva a um retorno ao nosso íntimo, não obstante secreto até para nós mesmos. Por vezes, esse desconhecimento de si aliado a presença alheia do outro, culmina desfechos dolorosos no casamento, na família. A família ainda hoje, em certa medida, forçosamente pela cultura ou pela religião dentre outros fatores é a célula mater da sociedade. Por assim ser condiciona muitas ações, reprime e anula o ser pleno.
Pude constatar em depoimentos de casais no livro e no ciclo de amigos, ainda que estejam muito separados na linha do tempo, a necessidade da comunicação nas relações bem como do descobrimento de si. Ou seja, o processo começa no indivíduo para expandir-se para a relação posteriormente. A palavra descobrimento aqui não foi utilizada em vão, pois há quem passe toda uma vida sem dar-se conta dos mistérios camuflados em si. O próprio comportamento associado as suas escolhas não são mais que reflexos do desejo de realização da família, da religião, dos amigos, isto é, da pressão exercida pela sociedade. Sem questionar se é viável ou mesmo prazeroso. Portanto, se limitam diante do vasto leque de possibilidades sem experimentar algumas delas. E dessa forma perdem a oportunidade de se conhecer.
Os relacionamentos são bons exemplos da comodidade de ser marionete social. Baseados em regras tidas como moldes, aos quais todos devem adequar-se seguindo um fluxo já existente. O resultado são divórcios, desequilíbrios de toda ordem, dramas familiares etc. Não acredito em fórmulas para acertos nessa área, contudo com autoconhecimento nos permitimos experimentar com inclinação individual e de maneira singular construir a relação sem temer comunicação e os seus resultados. Quem experimenta conhece seu próprio limite assumindo as suas responsabilidades sem precisar das “muletas”.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

As contradições de ser mulher Parte 1

Será que a mulher tornou-se masculinizada? Masculinizar-se significa negar a si mesma, restringir o campo de atuação. É essa uma atitude perversa, sufocar um ponto de vista, ou o modo de sentir a vida. A sua maneira metamoforseou-se ao longo do tempo. O que mudou o seu perfil na sociedade e traz questionamentos sobre o desempenho de seus papéis. A mulher enfrenta preconceitos de diversas ordens até os dias atuais, ainda que estude mais, e conseqüentemente ocupe seu espaço no mercado de trabalho. O que lhe acarreta ganhos e o peso de ter sua competência avaliada em constantes decisões. Sua vida profissional em grande parte é fonte de realização contrastando com o motivador delas no período, por exemplo, de suas avós; onde era comum a plenitude dessas mulheres através do casamento e da criação dos filhos. Atualmente é possível percebermos uma inclinação para unificar esses dois universos, o que em certa medida causa o acúmulo de funções levando a mulher também ao ranque de algumas doenças cardiovasculares, estresse etc. O seu cotidiano foi alterado e com ele todo o seu universo. Elas sabem que podem sentir o mundo com suas particularidades, sentem-se capazes, mas para terem o direito sobre suas próprias vidas ainda hoje no século XXI depara-se com as barreiras preestabelecidas pela sociedade. Elas ocupam cargos antes tidos como apenas masculinos, em quase todas as funções é possível encontrar sua presença. Entretanto, têm salários menores em relação aos dos homens em algumas partes do país. O estigma da fêmea que serve de caça para os predadores ainda hoje nos locais de trabalho são facilmente encontrados. Ou seja, a mulher precisa provar diariamente que é capaz de expandir-se na sua profissão. Isso depois de ter conquistado muito em vários setores.  Talvez seja essa a maior contribuição para que em determinadas circunstâncias elas se comparem aos homens, e por falta de entendimento da sua própria condição deixem a delicadeza peculiar ao seu ser.  Com as mudanças vieram outras cobranças. A sua busca é pela liberdade de ser mulher e sua individualidade. Elas requerem o direito de doarem-se quando julgar possível e a quem julgar merecedor ou merecedora. Ser mãe, profissional, cuidar do lar e ter um companheiro que divida as tarefas e os meandros da vida cotidiana. Que lhe permita exercer sua sedução e exaltar sua vaidade.

Parte 2



E por que não conquistar pela equidade sua sensualidade e sexualidade também. Com o sorriso sedutor, com a delicada arte de persuadir, e olhos expressivos, capaz de despertar paixão. Ela quer aflorar a deusa Vênus que guarda em si.  Sair do deserto sem vida para dar cor, cheiro e sabor a sua existência. A mulher quando aceita-se como é, permite-se um crescimento significativo de modo geral em sua vida. Despir-se dos próprios mitos colabora para a mudança, não esconder seu instinto por exemplo. Viver a sua sexualidade sem tabus cuidando da saúde, sem rótulos, com a dignidade de quem faz o seu caminho.  Sem precisar ser escravizada pela mídia narcisistica, ou se deixar influenciar tentando seguir tipos físicos incompatíveis com o seu biotipo; ou ainda tornarem-se dependentes dos cosméticos, das cirurgias plásticas em busca da perfeição do corpo. Elas podem escolher em não ser o objeto manipulado de cores e formas sempre mutáveis. Podem sim, mostrarem-se interessantes através de seu gosto musical, opiniões, leituras, do gosto pela dança, da conversa, quer dizer por seus interesses. Como uma boneca montada por tendências impostas pode manter relacionamentos prazerosos? Ou será que somos apenas parte de uma grande vitrine? Com isso alimentam a ditadura da beleza e banalizam atributos femininos. A mulher deve repensar seu papel não abdicando dos direitos conquistados, mas refletindo sobre a sua qualidade de vida.
Há mulheres que deturpam as conquistas femininas, algo exposto diariamente em programas de televisão bem como em anúncios. Contribuindo com a sua própria marginalização. Como na utilização de sua imagem oca para capas de revistas masculinas, o nu é sim um trabalho belo, de acordo como é feito. Embora, a massificação da venda da imagem do próprio corpo sem um algo mais para ser explorado é comparada a sua venda.  Celebridades instantâneas surgem com essa intenção quase que diariamente. Com atitudes similares dos homens agem contra si, com a repetição de atos outrora criticados sendo repetidos por elas. Homens e mulheres possuem formação psicológica distintas, portanto ambos vivenciam cada qual a sua maneira; é perda de energia tentar compará-los. Surge uma necessidade de ambos repensarem como lidar com o que ficou depois de tantas mudanças. Os homens aprenderam a mostrar seus sentimentos de tal maneira que as mulheres precisam aprender a relacionar-se com o lado frágil deles. A fragilidade masculina a deixa confusa.

Parte 3


Quando os papéis se equilibram pede que tanto um quanto outro repense suas relações. Esse é um dado que lota as salas de terapia. 


A invenção da pílula permitiu a escolha de seu ou de seus parceiros uma vez que o gênero feminino é dotado de desejos e anseios tanto quanto o gênero masculino; trouxe a escolha de ter ou não filhos; e ainda de poder programar o nascimento desses filhos; em conseqüência auxiliou em sua inserção no mercado de trabalho; que a tornou consumidora direta; tornou-a independente. Desapegadas de fórmulas prontas de comportamento, corroboram para a sua autoconstrução. A constituição do gênero feminino não é só pelo aspecto biológico, mas também pela carga cultural que herda. A cultura apoiou a criação de estigmas que apesar de obsoletos são utilizados até os dias atuais. O que proporcionou um estereótipo da mulher repassado por muitas famílias que insistem em perpetuar a hipocrisia social. Solidificada com a desunião feminina, difundida em sua lida entre si, geralmente como adversárias como se desconhecessem aquele universo ou fossem tocadas de repulsa por ele. Isto pode revelar o medo de assumir-se mulher. E são elas que repassam boa parte das atitudes machistas para seus rebentos, uma vez que foram educadas dentro desse molde patriarcal. Aprenderam a elevar os valores masculinos, em detrimento dos femininos. Ao valorar as diretrizes externas inicia o seu processo de inferioridade onde não raro desperta a depressão.


O reflexo dessa nova mulher é visto também na dificuldade de encontrar seus parceiros. Será exigência ou capricho? Ou a busca de alguém para compartilhar seus anseios não é mais que alguém para a reprodução? Faço um parêntese para ressaltar que há confusão entre o modelo antigo e o novo do agir da mulher, pois algumas agem com modernidade esperando uma resposta a moda antiga por parte do homem. Há casos de auto-suficiência feminina, o que inibe a aproximação masculina. Será? Refletir sobre os objetivos numa relação é necessário, uma vez que essa é constituída por uma troca.

A evolução da ciência colabora para a qualidade de vida, o que não deixa de ser um auxílio para ampliar e qualificar a sua maturidade.

Parte 4


A mulher tem seu modo de olhar o mundo, de lidar com suas emoções e de representar a sua subjetividade. A igualdade de direitos lhes proporciona a reutilização de tempo, e a expressarem-se sobre seus sofrimentos, seus sonhos, seus medos, suas realizações. As peculiaridades femininas instigam a irmos ao seu encontro. As diferenças não devem separar os gêneros, mas tornar sua busca mais prazerosa. A presença masculina não diminui a feminina, guardada as diferenças, ao contrário permitem aflorar aspectos belíssimos do ser mulher. Quando ela busca o que acredita ser melhor para o seu desenvolvimento pessoal com a responsabilidade de não sucumbir às justificativas vindas de fora. Consegue ser dona de seus dias, e é assim que elas fazem valer a luta pela igualdade mostrando-se forte. A partir dessa consideração elas podem transmitir um modo de pensar e agir diferente para novas gerações. Sem deixar sua sensualidade ofuscada pode provar que a utilização de seu corpo sexualmente não é a única opção para alcançar suas conquistas. Mas se assim o desejar é livre para tal utilização.




Andanças


Antônio Pietro era um homem maduro. Marcado por experiências difíceis desde a sua infância. E se for como dizem por aí, a história de cada um o constrói, é apropriado pensá-lo assim. Já trabalhara de quase tudo na vida e depois de muita dificuldade estava numa empresa que pagava além de seu salário suas horas extras. O que de algum modo já era muito para custear a educação da sua criança. Sol de sua vida como ele costumava dizer. Após alguns anos de vida promíscua dividia sua vida e casa com uma bela mulher capaz de fazê-lo nutrir sentimentos controversos, bem como sua conduta com essa dona.
Ela era meiga, companheira e o amava desesperadamente, de tal forma que parecia incomodá-lo. A falta de amor na infância parece ter afetado algo naquele homem que não queria ser amado ainda que discursasse diferente. Dessa maneira Antônio Pietro conseguia enlouquecer sua companheira, pois como o amor que o envolvia parecia aprisioná-lo, não sabia explicar como, ele estava sempre investindo como bom homem latino em outras mulheres. Era quase uma competição interna. Ele defendia-se com argumentos até certo ponto válidos, porém ininteligíveis para o coração de uma mulher que o venerava. Ele foi criança que conheceu o desamor, a fome, a rejeição. Cresceu e permaneceu no anonimato, era um vagabundo em potencial. Mas as ruas ensinam, dizia ele, e o pequeno Antônio Pietro aprendeu muita coisa. Era esperto e inteligente. Tinha a capacidade de cativar os que estavam ao seu redor, e mesmo de manipulá-los tinha literalmente o dom da palavra. Com apoio de sua devota mulher conseguiu terminar os estudos, o degrau para o seu atual emprego. O mais curioso nesse homem é a usa inconstância, fazendo-o movimentar-se na vida com uma sede do deserto. Dispondo-se a experimentar a vida em todas as suas possibilidades com todas as suas potencialidades. Sempre fiel a ele mesmo; deixando para trás seu rastro de dor e de saudade nas pessoas cativadas. Antônio Pietro trazia um vazio consigo, junto com um desprezo pelas pessoas que o acompanhava em suas conquistas, ele jamais conseguiu amar, apesar de ter sido amado inúmeras vezes de maneiras diversas. Havia nele um medo infantil do abandono. Ainda assim, conseguiu colecionar personagens femininas em sua trajetória, loiras, negras e pardas. Suas personalidades, idades, profissões variavam também, isto porque a necessidade de Antônio Pietro era está ligado ao universo feminino. Dividia-se entre elas, porém a nenhuma amava e sozinho percorria o seu caminho. Conseguiu o respeito dos amigos, camaradas de conversas regadas a muito vinho e literatura. Até o final, velho e cansado se vangloriava por ter tanto a contar aos mais novos, que de modo geral era os seus quase discípulos. Algumas tardes ele sentava-se para esperar a despedida do sol, e com essa paisagem lembrava as suas aventuras. Ao sol se pôr voltava a sua realidade na velha cadeira do asilo.