Quando os papéis se equilibram pede que tanto um quanto outro repense suas relações. Esse é um dado que lota as salas de terapia.
A invenção da pílula permitiu a escolha de seu ou de seus parceiros uma vez que o gênero feminino é dotado de desejos e anseios tanto quanto o gênero masculino; trouxe a escolha de ter ou não filhos; e ainda de poder programar o nascimento desses filhos; em conseqüência auxiliou em sua inserção no mercado de trabalho; que a tornou consumidora direta; tornou-a independente. Desapegadas de fórmulas prontas de comportamento, corroboram para a sua autoconstrução. A constituição do gênero feminino não é só pelo aspecto biológico, mas também pela carga cultural que herda. A cultura apoiou a criação de estigmas que apesar de obsoletos são utilizados até os dias atuais. O que proporcionou um estereótipo da mulher repassado por muitas famílias que insistem em perpetuar a hipocrisia social. Solidificada com a desunião feminina, difundida em sua lida entre si, geralmente como adversárias como se desconhecessem aquele universo ou fossem tocadas de repulsa por ele. Isto pode revelar o medo de assumir-se mulher. E são elas que repassam boa parte das atitudes machistas para seus rebentos, uma vez que foram educadas dentro desse molde patriarcal. Aprenderam a elevar os valores masculinos, em detrimento dos femininos. Ao valorar as diretrizes externas inicia o seu processo de inferioridade onde não raro desperta a depressão.
O reflexo dessa nova mulher é visto também na dificuldade de encontrar seus parceiros. Será exigência ou capricho? Ou a busca de alguém para compartilhar seus anseios não é mais que alguém para a reprodução? Faço um parêntese para ressaltar que há confusão entre o modelo antigo e o novo do agir da mulher, pois algumas agem com modernidade esperando uma resposta a moda antiga por parte do homem. Há casos de auto-suficiência feminina, o que inibe a aproximação masculina. Será? Refletir sobre os objetivos numa relação é necessário, uma vez que essa é constituída por uma troca.
A evolução da ciência colabora para a qualidade de vida, o que não deixa de ser um auxílio para ampliar e qualificar a sua maturidade.
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